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Brasil Botijão Arremessado

Ambulante morre após ser atingido por botijão de gás lançado de apartamento em Copacabana

Homem que jogou o objeto pela janela foi preso pela polícia militar; segundo a irmã, ele sofre de transtornos mentais

12/10/2020 20h13 Atualizada há 1 semana
Por: Blog do Almir Santos Fonte: O Globo
Ambulante morto por botijão de gás arremessado de apartamento estaria sentado em banco de concreto no momento do crime, dizem testemunhas Foto: Guito Moreto
Ambulante morto por botijão de gás arremessado de apartamento estaria sentado em banco de concreto no momento do crime, dizem testemunhas Foto: Guito Moreto

 Policiais do 19º Batalhão de Polícia Militar prenderam, na tarde desta segunda-feira, um homem que jogou um botijão de gás de um apartamento do décimo segundo andar de um prédio na Rua Aires Saldanha, próximo da esquina com a Rua Djalma Ulrich. O objeto acabou acertando um homem que estava na calçada. A vítima, que foi atingida na cabeça, chegou a ser socorrida por uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas morreu na hora. As Ruas Miguel Lemos e Djalma Ulrich seguem interditadas e bombeiros também atuam no local.

Segundo funcionários e moradores da região, a vítima era um ambulante de meia idade, que vendia frutas no quarteirão. Conhecido como Tronco e Lobisomem, por causa da barba ostensiva, ele estaria sentado ao lado de uma banca de jornal, em frente à saída dos fundos, na Rua Aires Saldanha, do Edifício Cannes, cuja portaria principal fica na Rua Djalma Ulrich.

Já o homem preso em flagrante se chama Venilson da Silva Souza, aparenta ter 50 anos, é morador da comunidade Pavão-Pavãozinho e não tem antecedentes criminais. Segundo a sua irmã, Núbia da Silva Souza, que testemunhou o crime, ele sofre de transtornos mentais e, durante o surto, teria arremessado outros objetos pela janela, como um pedaço de fogão, que também caiu na rua. O detido foi conduzido para a 13ª DP (Copacabana). Um usuário do Twitter chegou a fazer um vídeo de uma pessoa caída na calçada ao lado do botijão de gás que Venilson jogou, que foi parar no meio-fio entre um carro estacionado e um banco de concreto.

Prédio em que o crime ocorreu fica numa movimentada esquina das ruas Aires Saldanha e Djalma Ulrich Foto: Guito Moreto

 

O prédio em que o crime ocorreu fica localizado numa movimentada esquina da Aires Saldanha e Djalma Ulrich, com muitos bares próximos. Apesar de sempre movimentado, o edifício nunca havia passado por um caso trágico, dizem vizinhos. Pessoas no entorno chegaram a dizer que ouviram gritos de discussão vindo do edifício, mas o porteiro não confirmou a informação.

 Eu só ouvi um estrondo gigante e saí para a rua — disse o porteiro Fabiano Bernardino, de um prédio próximo, na Rua Aires Saldanha. — Parecia que ele estava sentado do lado da banca, quando caiu o botijão. Imagina, poderia ser com qualquer um.

'Tronco' era querido por todos, dizem amigos

Por volta das 18h30, o porteiro João Pereira apareceu na esquina da tragédia para confirmar a suspeita que temia: a vítima era Tronco, um morador de rua querido por todos da região, explicou. Pereira disse que não sabia o nome do amigo, conhecido apenas pelo apelido, mas que ele era natural da Paraíba, seu conterrâneo, da cidade Pedra de Fogo, fronteira com Pernambuco.

— Quando me falaram que teve um acidente peguei minha bicicleta para ver o que houve — disse Pereira, com a voz embargada. — Todo dia ele ia no prédio que eu trabalho para pedir café. Hoje, ele foi lá às 14h.

Apesar de ter família no Pavão-Pavãozinho, Tronco morava nas ruas, mais especificamente em frente ao prédio do número 118 da Rua Conselheiro Lafayette, contou Pereira.

— Ele já morava aqui há 30 anos. Veio da Paraíba como peão de obras, mas depois de um tempo ficou para trás. Não sabia ler e andava sempre mal vestido. Mas era uma pessoa muito do bem, não tinha problemas com ninguém. Chegou a trabalhar ajudando barraqueiros da praia, mas há um tempo passou a vender frutas e ficava nas ruas. Ganhava ajuda de muita gente, era querido por todos — explicou Pereira, que não soube precisar o motivo do rompimento de Tronco com a família.

Funcionário de outro prédio próximo, Matias Alves disse que conhecia a vítima e que ele andava sempre sozinho.

— Eu sempre o via sozinho nessa área, acho que era morador de rua. Era uma pessoa simpática e se virava vendendo frutas nas esquinas. Já comprei banana com ele algumas vezes — disse Alves.

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